O laboratório especializado de Biologia Molecular do Hemope mostrou, nesta quinta-feira (22), por que se tornou uma das estruturas mais estratégicas da hematologia em Pernambuco. A 9ª Reunião Técnico-Científica teve como foco apresentar a trajetória, os serviços e avanços tecnológicos construídos pela unidade.
Ministrada pela farmacêutica-bioquímica Fárida Coeli Melo, e pela biomédica Ilana França, a palestra revelou como os exames moleculares mudaram a forma de diagnosticar, monitorar e tratar doenças hematológicas, sobretudo as leucemias.
Técnicas como PCR convencional, PCR-RFLP e RT-qPCR com sonda TaqMan foram apresentadas como ferramentas fundamentais para identificar alterações genéticas, definir terapias e detectar recaídas de forma precoce.
Ao apresentar um caso, Fárida Coeli explicou como o monitoramento conseguiu identificar uma alteração silenciosa em um paciente que seguia em observação por anos. “Ele vinha sendo acompanhado molecularmente e uma alteração logo chamou atenção da equipe através de um estudo retroprospectivo. Foram analisadas amostras guardadas no nosso banco”, conta.
A biomédica Ilana França explicou que, nesses casos, a intervenção precoce é essencial para a recuperação do paciente. “Após identificarmos, iniciamos o tratamento antes do paciente recair hematologicamente. E ele respondeu muito bem. Foi importante esse empenho, porque as recaídas hematológicas têm consequências. A doença volta muito mais grave”, alertou.
PESQUISAS E RECONHECIMENTO
Em outro momento da reunião científica, as palestrantes destacaram o trabalho realizado no laboratório pelo Grupo de Pesquisas e Estudos em Hematologia (GPEH), que completa 30 anos em 2026. Além da realização de exames especializados em sangue periférico e medula óssea, o GPEH acompanha dezenas de estudantes de iniciação científica, graduação, residência, mestrado e doutorado, vinculados à Facepe, CNPq e UPE.
Ao longo de três décadas, mais de 230 projetos já foram desenvolvidos entre artigos científicos, mestrados, doutorados, iniciações científicas, resumos e especializações. Entre os destaques, está o Projeto LLA, aprovado pela FACEPE, responsável pela primeira publicação brasileira a demonstrar a alta frequência do gene BCR-ABL1 e sua relação com pior sobrevida em pacientes adultos com leucemia linfoblástica aguda.
Outro marco da unidade, foi o Projeto IC-APL, desenvolvido em parceria com instituições nacionais e com apoio internacional. O estudo ajudou a reduzir em 50% as mortes precoces relacionadas à leucemia promielocítica aguda e aumentou em 30% a sobrevida global dos pacientes acompanhados. Assim como o rearranjo PML-RARα, que entre os 65 pacientes elegíveis acompanhados entre 2007 e 2014, a taxa de recaída registrada foi de 13%, com tempo médio de 39 meses.


